⭐ “Nasce uma estrela”, de Marcelo Lufiego

Nasce Uma Estrela

Terra! Durante o dia, planeta azul. Corpo espacial único, formado a partir do pó, transformado no espaço ideal para o império dos três estados da matéria. Planeta em constante transformação geológica, com a superfície em permanente estado de mudança. Vulcões, terremotos, maremotos, furacões e tsunamis. Matriz conhecida da vida. Rica em geobiodiversidade: ilhas, mares, oceanos, praias, mangues, lagos e lagoas, banhados e pantanais, rios, campos, coxilhas, serras, montanhas, cordilheiras, vales, depressões, caatingas, savanas, cerrados, estepes, tundras, taigas e bambuzais, geleiras, desertos, dunas, florestas tropicais, Mata de Araucárias, Mata dos Cocais, babaçu e carnaúba, bosques encantados e grandes florestas equatoriais chuvosas. Dos cachalotes e elefantes africanos, passando pelos orangotangos, gorilas e chimpanzés, aos seres microscópicos, protozoários, algas e bactérias, planeta vivo! Corpo celeste pulsante, mais precioso, para se ter uma ideia, do que todos os astros que compõe a Caixa de Joias, junto à Estrela Mimosa.

Terra! Depois do crepúsculo, à noite. Planeta Luz (Elétrica). A nossa luminosidade foi criada pelos cientistas da luz. Willian Gilbert, Alessandro Volta, André Ampére, Benjamin Franklin, Graham Bell, Georg Ohm, Guglielmo Marconi, Michael Faraday, Nikola Tesla, Niels Bohr e Thomas Edison, talvez nunca tenham imaginado tamanha consequência, mas seus estudos acabaram criando uma nova estrela no céu. Que visão inusitada! O Planeta Terra se ilumina e projeta uma nova luz em direção ao cosmos. As luzes Elétricas destacam grandes aglomerados urbanos. São Paulo e Buenos Aires brilham na América do Sul. As grandes Tóquio, Seul, Xangai, Pequim, Nova Iorque, Los Angeles, Chicago, Cidade do México, o conglomerado urbano ao longo do Reno na Alemanha e na Holanda, Manaus em meio ao breu da Floresta Amazônica, brilham como se fossem os mil olhos do Planeta. São faróis apontados para o espaço, que emitem feixes de luz a trezentos mil quilômetros por segundo. Chagarão à Alfa-Centauri em pouco mais de quatro anos. Aliás, já chegaram faz tempo e cada vez com mais intensidade. Na Terra nasce uma estrela pela mão do homem. Já não refletimos apenas a luz do Sol, agora temos a nossa própria luz. Elétrica! A Terra brilha cruzando o espaço cósmico exterior e seguimos com ela sem temor de ofuscação enquanto as usinas funcionarem. Já o perigo de chamarmos a atenção de seres alienígenas belicosos é coisa de quem acredita em óvnis. Gigantescas hidrelétricas, assustadoras usinas atômicas, gigantescos cataventos, painéis solares cobrindo grandes extensões do deserto.

Como tenho dito e no futuro repetirei, percorrerei a linha do espaço-tempo, desde os degraus da rampa de acesso ao Templo interior e daí em direção ao infinito, ao ilimitado mundo exotérico, estendendo-se a vida num prodigioso tapete vermelho! Um tapete de papel de arroz, sensível à menor pressão, pelo qual precisamos passar até que os nossos passos já não deixem vestígios e as pegadas tenham desaparecido, aliás, tenham sequer existido, tal como ensinou o venerando mestre daquele herói do seriado televisivo, que na vida real acabou morrendo num quarto de hotel, muitos anos depois, e se não estou enganado, em algum país do Extremo Oriente, de causa ainda não confirmada. E seguimos num bólido luminoso, fedendo a fumaça, em direção ao desconhecido, projetando nossa luz artificial a quem puder ver, embora, como sabemos, não existam ETs. O Princípio Criador tem a seu favor a matemática e a matemática, em termos universais, tudo pode. Não poderia reproduzir espécie semelhante ao homem ou ainda mais sofisticada? Andrômeda, ao nosso lado, não tem cerca de um bilhão de sóis? Quantos planetas telúricos como a Terra terá? Produzir hidrogênio e oxigênio seria assim tão difícil? Para uma natureza tão poderosa? Não creio. O problema do isolamento do homem não são as distâncias, mas o tempo. Nada obstante, a humanidade está se dando a conhecer para qualquer forma de vida capaz de nos observar, assim como nós já enxergamos longe através dos nossos telescópios.

Terra! Estrela elétrica. Planeta nave. Acompanhando o Sol, singra no oceano cósmico, num ponto qualquer do Braço de Orion, em nossa Galáxia, a Via Láctea! A Terra é a verdadeira e grande Argos e nós os últimos argonautas. E, se não obtivermos sucesso, todos sofrerão as consequências nefastas do nosso fracasso. Todavia, não trabalhamos com a hipótese negativa, pois acreditamos na capacidade do ser humano. O tesouro que buscamos é a realização da nossa humanidade. É o ser humano pleno, conectado com o Universo, resignado com a mortalidade, infinito na limitação do espaço e eterno, mesmo diante do exíguo tempo de vida terrena. Eletrificados, brilhemos, portanto, e que sejamos um farol cósmico a indicar a localização do Sistema Solar a todos os olhos que, de longe, façam como nós: perscrutem através do quinto elemento pelos caminhos intermináveis da magnífica superaglomeração de Laniakea[1].  Todavia, antes de dormir, não esqueçamos de apagar as luzes!

Marcelo Lufiego

[1] Laniakea: Supercluster (superaglomeração de galáxias). O nome significa em havaiano “Universo imensurável”. É composta por mais de 100 mil galáxias, dentre as quais aquelas que compõem o nosso Grupo Local (Andrômeda, Via Láctea, Triângulo etc). Este supercluster tem cerca de 520 milhões de anos-luz de diâmetro.

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