“📚 Prêmio Nobel de Literatura” (Milton)

PRÊMIO NOBEL DE LITERATURA

Por Milton Maciel

LUISE GLÜCK, professora norteamericana de língua inglesa em Yale, é a vencedora do 113º Prêmio Nobel de Literatura.

Ela é a 16ª mulher a receber tal premiação. O galardão máximo da literatura mundial foi-lhe outorgado pela Academia da Suécia neste dia 8 de outubro, mercê de “sua voz poética característica, de uma beleza austera que torna universal a existência individual”.

Nascida em 1943 em New York, Louise tem 77 anos e começou a se destacar nos meios literários norte-americanos já nos anos 60.Seu primeiro livro publicado foi Firstborn (= Primogênita). Depois dele, publicou mais um dúzia de livros de poesia e váriosensaios sobre esse tema.

Pouco traduzida fora dos Estados Unidos, Louise goza de grande reputação no seu país, onde recebeu antes o Prêmio Pulitzer 1992, por “Wild Iris” (= Iris Selvagem); o Prêmio Los Angeles Times 2012, por “Poems 1962-2012”; e o National Book Award 2014 por “Faithful and Virtuous Night” (= Noite fiel e virtuosa)

Foto: Robin Marchant, AFP

AGORA VEJAM SÓ QUE COISA PRODIGIOSA QUE É O LIVRO ELETRÔNICO:  Nesta manhã, apenas uma hora depois que o nome de Louise Glück foi apresentado ao mundo como ganhadora do Nobel de Literatura 2020, corri à Amazon USA e tratei de garantir alguns livros dela, antes que disparassem seus preços. Menos de 10 minutos depois eu, aqui nos grotões da Colônia Dona Francisca, já tinha feito download de material detrês dos livros dela e já apresentava aos colegas a primeira poesia do livro A VILLAGE LIFE.

Aqui está ela, agora que deu tempo, já com a devida tradução:

TWILIGHT

CREPÚSCULO

Glück, Louise in “A Village Life”

All day he works at his cousin’s mill,

(Todo dia ele trabalha na fábrica de seu primo,) (Mill originalmente era Moinho – no tempo dos moinhos!)

so when he gets home at night, he always sits at this one window,

(então, quando ele chega em casa à noite, ele sempre senta a esta janela,)

sees one time of day, twilight.

(vê um momento do dia, o crepúsculo.)

 

There should be more time like this, to sit and dream.

(Devia existir mais tempo assim, para sentar e sonhar.)

It’s as his cousin says: Living — living takes you away from sitting.

(É como seu primo diz: Viver – viver afasta você de sentar.)

 

In the window, not the world but a squared-off landscape

(Na janela, não o mundo, mas uma paisagem enquadrada)

representing the world. The seasons change,

(representando o mundo. As estações mudam,)

each visible only a few hours a day.

(Cada uma visível apenas umas poucas horas por dia.)

Green things followed by golden things followed by whiteness—

(Coisas verdes seguidas por coisas douradas seguidas de brancura)

abstractions from which come intense pleasures,

(abstrações das quais vêm prazeres intensos,)

like the figs on the table.

(como os figos sobre a mesa.)

 

At dusk, the sun goes down in a haze of red fire between two poplars.

(No crepúsculo, quando o sol descamba numa névoa de fogo vermelho entre dois álamos,)

It goes down late in summer—sometimes it’s hard to stay awake.

(Ele se põe tarde no verão – às vezes é difícil ficar acordado.)

 

Then everything falls away.

(Então tudo se esvai.)

The world for a little longer

(O mundo, por um pouco mais,)

is something to see, then only something to hear,

(é algo a ver, então só algo a ouvir,)

crickets, cicadas. Or to smell sometimes, aroma of lemon trees, of orange trees.

(grilos, cigarras. Ou para cheirar às vezes, aroma de limoeiros, de laranjeiras.)

Then sleep takes this away also.

(Então o sono leva isso embora também.)

 

But it’s easy to give things up like this, experimentally,

(Mas é fácil desistir de coisas assim, experimentalmente,)

for a matter of hours.

(por uma questão de horas.)

 

I open my fingers.

Eu abro meus dedos.

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