ADOLFO BERNARDO SCHNEIDER

ADOLFO BERNARDO SCHNEIDER

ADOLFO BERNARDO SCHNEIDER (*1906 +2001), Presidente Provisório da Academia Joinvilense de Letras de 1969 a 1971 e primeiro Presidente Eleito da AJL para o triênio 1971-1974, cujo mandato foi tacitamente prorrogado para os triênios seguintes, até sua morte, em 2001: tornou-se, pois, o “presidente perpétuo” da Academia.

Adolfo Bernardo Schneider nasceu em Joinville, em 1906. Filho de Carlos Schneider, um rico imigrante alemão, Adolfo estudou na Escola Alemã (Colégio Bom Jesus), tendo seu primeiro contato com o português, aos 15 anos, quando chegou a Florianópolis para cursar o secundário no Colégio Catarinense. 

“Foi uma mudança brutal, disse Adolfo. Ali também se via a força dos ódios que a guerra produz. Pessoas em fúria depredaram o clube de tiro alemão durante a guerra e queimaram móveis e livros na rua”, relatou. Em 1923 Adolfo voltou para Joinville, onde nova readaptação o esperava, aos costumes familiares e novamente ao idioma alemão.

Em 1924 seguiu para Hamburgo, na Alemanha, para cursar a Escola de Comércio. Descobriu então outro mundo e mesmo o alemão falado já não era o mesmo. Porém, ali se casou com Gretchen Meinke. Em 1929, com a queda da bolsa de Nova Iorque e a crise mundial, todos vieram para o Brasil.

Adolfo então se integrou aos negócios do pai e comprou a sorveteria Polar para a esposa e seus familiares.  Nasceu a filha Eva Maria e Joinville crescia aceleradamente. Em 1938 faleceu seu sogro, e começaram as hostilidades contra a família, que costumava ouvir no rádio o noticiário alemão. Em 1939 a sogra resolveu voltar para a Alemanha, levando sua esposa e a filha. Surpreendidas pela guerra, a família só conseguiu se reunir sete anos depois. “Sofri muito naqueles tempos, quando se praticou no Brasil contra os teutos um apartheid, pior que o da África do Sul”, reclamou Adolfo.

Adolfo Bernardo Schneider era escritor e pesquisador/historiador, autodidata da história da fundação da Colônia Dona Francisca -, de onde floresceram cidades como Joinville, São Bento do Sul, Campo Alegre, Rio Negrinho, Jaraguá do Sul, Corupá, Guaramirim e Schroeder.  Foi um dos criadores do Museu do Sambaqui e do Arquivo Histórico de Joinville, bem como o primeiro presidente da Academia Joinvilense de Letras (AJL). 

Em matéria para o Jornal A Notícia, em 1999, Adolfo Schneider contou que seu interesse pela história de Joinville surgiu a partir do centenário de fundação da cidade, em 1951. Como todo joinvilense da época, ele assistiu, durante a Segunda Guerra, à proibição do uso do idioma alemão e ao fechamento de escolas e jornais, na tentativa – vã – de erradicar a cultura alemã no País. Percebeu então, que aos poucos a cultura de sua terra estava desaparecendo, o que não poderia aprovar.

Schneider publicou vários artigos sobre temas diversos na imprensa de Santa Catarina, além de livros, entre estes: Povoamento – Imigração, Colonização; História da Gestação do Museu do Sambaqui de Joinville ; 

Memórias III – De Um Menino de 10 Anos – História de Joinville em forma de crônicas; Impressões de uma viagem ao Rio Grande do Sul. Para crianças, escreveu, em 1959, o texto dramático O coelhinho do halo azul.

Aos 91 anos, Adolfo Schneider, em entrevista a um repórter,  concluiu que esteve sozinho na maior parte desse tempo, e sempre tentando se adaptar às mudanças impostas pelos acontecimentos. Passava os dias de sua velhice pesquisando documentos do passado joinvilense, sendo o próprio testemunho da maior parte da história da cidade, fundada em 9 de março de 1851.

As mais antigas lembranças de Adolfo sobre a cidade o remeteram a 1911, quando pescadores chegavam pelo rio Cachoeira e levavam as canoas pelos canais de drenagem até a Rua do Príncipe e ali ofereciam os pescados. Onde hoje se situa a Travessa Bachmann existia um brejo alagado pelas marés, onde capturou pequenos peixinhos para povoar um aquário importado pelo pai.

Lembra-se de histórias daqueles tempos e relata o caso, em que um importador teria recebido uma partida de trigo em barricas e uma delas, marcada com um discreto “X”, continha carga especial. Os empregados, seguindo o costume da época, saíram a comunicar aos padeiros da cidade a chegada do trigo. No dia seguinte, ao procurar a barrica marcada, o importador se desesperou, porque tinha sido vendida em meio às outras. Algum tempo depois, um dos padeiros passou a demonstrar sinais de enriquecimento e, aos que perguntavam, dizia ter ganhado na loteria. Apenas o importador sabia que a origem da súbita fortuna estava no fundo falso da barrica, repleto de dinheiro falso que ele pretendia fazer circular. Mas obviamente não podia denunciar o novo falsário. 

A vida de Adolfo foi submetida a guinadas fantásticas ao longo de quase um século, a ponto de ele se definir como uma pessoa que passou a existência se adaptando e fadado a permanecer só. O historiador faleceu em 20 de julho de 2001, aos 94 anos.

 

Referências 

Pesquisa realizada por Nelci Seibel

 

DEBUS Eliane. Professora MEN/PPGE/CED – UFSC – 2012

DIAS, Maria Cristina. Um pouco da Joinville do século passado… Jornal A Notícia, 10/01/1999. Em http://www1.an.com.br/1999/jan/10/0cid.htm.

 DA SILVA, João Francisco. A NOTÍCIA, 1998.

Fonte da imagem: reprodução por Maria Cristina Dias Lima /Joinville-SC.

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