Humor marxista (Adauto)

HUMOR MARXISTA

Groucho Marx, pseudônimo de Julius Henry Marx (Nova Iorque, 2 de outubro de 1890 – 19 de agosto de 1977) foi um comediante e ator estadunidense. Parecia inesgotável a sua verve, o seu fino humor, que aplicava no cinema, na música, no teatro, no rádio em esquetes, na mídia, nas entrevistas, e, ao fim da vida, num alentado volume de autobiografia com novecentas páginas.

Em tudo presente o seu fino humor, o qual, no dizer de Bernard Shaw, outro excepcional humorista, é a máxima projeção da inteligência.

Como ele pode ser apreciado?

Pela calunia, a injúria e a difamação; pela irreverência; pela sátira; pela ironia; pelo sarcasmo; pela paródia; pela mera coincidência (em São Paulo foi preso um famoso ladrão italiano de nome Meneghetti; no Rio Grande do Sul, na mesma época, foi eleito governador outro Meneghetti, o que ensejou ao Barão Itararé, um dos nosso maiores humoristas de todos os tempos, a boutade “cada estado tem o meneghetti que merece”); pela blasfêmia; pelo ridículo; pelo apelido; pelo trocadilho; pelo deboche; pela contradição; pelo disfarce; pela apóstrofe; pelo aforismo; pelo oximoro; pelo pitoresco; pela perfídia; pela semelhança (apelidos); pela resposta desconcertante.

Há respostas históricas: quando Xerxes, nas Termópilas, alertou Leônidas, comandante grego dos Trezentos, de que os seus arqueiros eram tantos que as suas flechas cobririam o sol. E ofereceu a rendição, recebeu a resposta pronta: melhor combateremos à sombra! Quando o Primeiro Ministro Inglês, durante a Revolta da Armada contra o Governo Republicano, em 93, inquiriu o Mal. Floriano de que maneira seriam recebidos os marinheiros ingleses, no Brasil, para proteger os súditos de sua majestade a Rainha, recebeu a contestação:-À bala! Histórica e antológica a resposta de Groucho Marx a uma jovem jornalista que o entrevistou a propósito do seu livro autobiográfico com as novecentas páginas: ─ Como o senhor arranjou tempo para o escrever? Furtando-o ao cinema, ao teatro, ao rádio, à televisão, à coluna jornalística, às obrigações familiares? Durante férias, feriadões, em praias, hotéis fazendas, durante noites de insônia? ─ Não, nada disso, só aproveitando uns segundinhos, pedidos por minha mulher, para retocar o batom….

 

Carlos Adauto Vieira

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