ILMAR GASTÃO DE CARVALHO

ILMAR GASTÃO DE CARVALHO

ILMAR GASTÃO DE CARVALHO (*1927 +2018)

Patrono: Heráclito Lobato

Ilmar Carvalho, nasceu em 1927, em Joinville, Santa Catarina. Foi jornalista, crítico musical, cronista e animador cultural, com mais de 60 anos de atuação profissional, nas mais diversas atividades, todas porém estreitamente ligadas ao jornalismo em sua vertente cultural, em especial na música, tanto a popular, no Rio de Janeiro, quanto na erudita e no jazz.

Ilmar passou grande parte da vida em São Francisco do Sul, onde casou e teve cinco filhos. Seu pai, César Augusto Carvalho foi um jornalista irrequieto e provocador, enquanto a mãe, Ritinha, cultivou a sobriedade da família de Jaraguá de Sul, de origem germânica. Mas foi em Florianópolis que Carvalhinho viveu intensamente. “Eu simplesmente não dormia; esperava pelo sol bebendo no bar ou no restaurante da Trajano”, lembrava em meio a gargalhadas.

Tendo por que puxar (pai e avô), o início de Ilmar na imprensa aconteceu cedo. Em 1947 já escrevia em A Notícia, jornal de Joinville, onde começou seu longo percurso. Em SC escreveu em grandes e pequenos jornais, integrou os grupos de vanguarda de cinema e literatura como o Grupo Sul, foi cronista parlamentar da Assembleia Legislativa, integrou a Assessoria de Imprensa do Governo Estadual (1961/64), foi correspondente em Florianópolis/ SC, de grandes jornais e revistas do Rio, São Paulo, Porto Alegre e Curitiba. Foi chefe de Relações Públicas da presidência da Confederação Nacional da Indústria (1964/67). Ilmar Carvalho nasceu em 1927, em Joinville, Santa Catarina. Foi jornalista, crítico musical, cronista e animador cultural. Entre tantas atividades desenvolvidas ao longo de sua trajetória, o jornalismo, em sua vertente cultural, em especial a música, tanto a popular, principalmente no Rio de Janeiro, quanto a erudita e o jazz.

  Filho e neto de jornalistas, iniciou-se cedo na imprensa. Em 1947 já escrevia em A Notícia, em Joinville, onde começou o seu longo percurso. No seu estado natal (SC) escreveu em grandes e pequenos jornais, integrou os grupos de vanguarda de cinema e de literatura, foi cronista parlamentar da Assembleia legislativa,

         Em 1964 transferiu-se para o Rio de Janeiro e desde então exerceu sua principal atividade profissional – jornalismo, no Rio, SC e também em outros estados.

         No Rio de Janeiro foi um dos fundadores e fez parte do Conselho de Música Popular do Museu da Imagem e do Som, foi redator e articulista de diversos jornais e comentarista musical de outros, como O Pasquim. Colaborou com grande número de jornais, e com mais frequência em A Notícia de Joinville, Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, além de vários do Rio Grande do Sul e de Brasília.

Ao longo do tempo Ilmar participou de vários simpósios pesquisou tudo que pode na área musical, transformou-se num dos maiores colecionadores de discos e livros da música popular e erudita, tornando-se um crítico competente e admirável, com um texto sábio e atraente que  brindou permanentemente os leitores no caderno da cultura do Jornal do Commercio.

         Em paralelo exerceu cargos e funções ligados à cultura, especialmente à música, quase todos à música popular brasileira, com destaque no Rio de Janeiro. Integrou a diretoria da extinta Associação Brasileira de Pesquisadores de Música Popular, foi membro do Conselho Consultivo do Carnaval do Rio, da RIOTUR, entre outros conselhos ligados ao samba e às escolas de samba.

         Foi chefe da Assessoria de Imprensa do Museu de Arte Moderna – MAM.

         Seu grande interesse pelo choro transformou-o num estudioso desse gênero musical, considerado a primeira formação instrumental popular urbana, que surgiu no Rio de Janeiro a parir do último terço do século XIX. Foi grande incentivador do chorinho e de sua difusão.

         Suas incursões no campo da sociologia, da cultura e da música, abordados em sua produção jornalística, o levaram a lecionar  essa matéria no Instituto Villa–Lobos da FEFIERJ, hoje UniRIO. Desde então foi realizando palestras e cursos sobre sociologia e historiografia da música em várias cidades, como Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.  

         Outro objeto permanente de estudo de Ilmar Carvalho tem sido a cultura afro–brasileira, principalmente no que se relaciona a música popular, bem como a historiografia  e o folclore do Brasil e das Américas.

         Toda sua vida dedicada à cultura tem-lhe granjeado homenagens, títulos e aplausos, em Santa Catarina – “Manezinho da Ilha”, “Medalha de Mérito Cultural Cruz e Souza”, concedido pelo Conselho Estadual de Cultura; no Rio de Janeiro, o título de “Cidadão Carioca”, pela Câmara de Vereadores.

         Ilmar tem crônicas e contos publicados em coletâneas de obras de autores catarinenses, alguns premiados. Suas primeiras incursões neste campo datam de 1946/47, vivendo ainda em São Francisco do Sul/SC, quando conquistou o prêmio do conto “Lola”, na então “Revista da Semana” e o 1º lugar no concurso de crônicas da revista “Guayra”, de Curitiba. Em Florianópolis participou da última fase da revista “Sul” e manteve uma crônica diária na Rádio Diário da Manhã, “uma das grandes experiências profissionais de minha vida”, disse Ilmar.

Em 2005 Ilmar lançou com sucesso o seu primeiro livro “O Bêbado Azul do Desterro”, pela Editora Letradágua, cujos contos lembram sua vida em Florianópolis.  

Ilmar Carvalho era um boêmio “profissional”, despojado e irreverente, mas levava seu trabalho muito a sério. Por tudo isso Ilmar Carvalho era conhecido em todo Brasil, amado e admirado. Foi membro–fundador da Academia Joinvilense de Letras e teve sua vida relembrada na Sessão da Saudade, realizada  pela AJL logo após seu falecimento.

Em 2 de março de 2018 o jornalista joinvilense João Francisco da Silva escreveu:

“Morre Ilmar Carvalho

Morreu no dia 27 de fevereiro, no Rio de Janeiro, aos 92 anos, o lendário jornalista e escritor Ilmar Carvalho. O maior conhecedor da MPB. Fato que o levou a lecionar em universidades. Na década de 70 trocou a boemia de Florianópolis pela cultura carioca, Sem, contudo, renunciar à indolência da vida noturna. Transformou-se em um apaixonado crítico da música popular brasileira e integrou, por vários anos, o júri do carnaval carioca”.

 

(pesquisa e redação de Nelci Seibel)

 

CARVALHO, Ilmar. O Bêbado Azul do Desterro, pgs. 77 e 78. Ed. Letradágua. Joinville, 2005.

MAGOULAS, Paulo. Ilmar Carvalho: Cidadão de Copacabana. Publicado em: 28/10/2004. 

Wikipédia: Caros Ouvintes – Instituto de Estudo de Mídia

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Fonte da imagem: http://www1.an.com.br/2004/mai/fotos/24ane03.jpg

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