JOÃO ACÁCIO GOMES DE OLIVEIRA

JOÃO ACÁCIO GOMES DE OLIVEIRA

Cadeira 32

JOÃO ACÁCIO GOMES DE OLIVEIRA (*1896 +1984)

Patrono: Plácido Gomes de Oliveira.

Nascido em uma tradicional família luso-brasileira estabelecida em Joinville ainda no século XIX, desde cedo João Acácio Gomes de Oliveira viu-se envolto por dois ambientes que sempre lhe foram muito próximos: o político e o intelectual. Seu pai, o coronel da Guarda Nacional Procópio Gomes de Oliveira, por duas vezes governou Joinville (de 1903 a 1907 e de 1911 a 1914), além de ser eleito deputado estadual por duas legislaturas seguidas: de 1913 a 1915 e de 1916 a 1918. Seu cunhado Carlos Gomes de Oliveira, por sua vez, além de deputado estadual e federal, foi também senador da república por dois mandatos, alcançando a presidência do Senado e conduzindo a cerimônia que deu posse a Juscelino Kubitschek na presidência da república, em 1956. De outra parte, tanto seus irmãos Plácido e Moacyr Gomes de Oliveira, como o cunhado Carlos, tiveram expressiva participação na vida intelectual da antiga Joinville, seja na fundação e direção de jornais, na publicação de artigos jornalísticos, ou de obras de caráter científico ou literário.

Como era de se esperar, esse ilustre joinvilense, nascido a 27 de julho de 1896, não teria destino diverso! Enveredando pela engenharia, a 24 de maio de 1934 figurou dentre os 26 nomes que fundaram, em Florianópolis, a Associação Catarinense de Engenheiros (ACE), a mais antiga associação de classe da engenharia do Estado. Antes disso, porém, por indicação do então interventor federal em Santa Catarina, Aristiliano Ramos, foi nomeado prefeito de Joinville, cidade que conduziu até 1934 e em cujo período bateu-se até mesmo por questões de interesse regional, como a eterna situação do Canal do Linguado. Nesse sentido, por carta enviada a João Américo de Almeida, então ministro da Viação do governo Vargas, questionou o aterro do referido canal e a pretendida demolição da ponte metálica lá existente, solicitando um estudo de suas conseqüências e indagando, com veemência, que “se em 1912 o Exmo. Sr. Ministro da Marinha já achava que a construção da ponte fixa sobre o segundo braço prejudicaria a defesa móvel do porto de São Francisco, que dizer do fechamento definitivo do canal com um aterro?”. Não imaginava ele que, no futuro, o Ministro e também literato João Américo de Almeida ingressaria na Academia Brasileira de Letras.


No campo de sua atuação profissional, desde 1935 obteve, mediante concorrência pública, a concessão para a exploração dos serviços de força e luz na capital catarinense, o que perdurou até 1938, quando medidas adotadas pelo novo interventor federal, Nereu Ramos (adversário político de Aristiliano Ramos), obstaculizaram a continuidade de suas atividades. Tal situação motivou forte embate entre ambas as partes, culminando inclusive com o envio de seguidas cartas de João Acácio ao próprio presidente Vargas, de 1938 a 1940, denunciando o interventor catarinense pelo emprego de “fórmulas jurídicas por ele armadas e despoticamente praticadas”.


Fixando residência em Barra Velha, no litoral norte-catarinense, cujo afamado “Morro do Cristo” doou à municipalidade em 1968, lá viu seu irmão Moacyr e seu cunhado Carlos Gomes de Oliveira assumirem, no ano seguinte, a condição de membros-fundadores da Academia Joinvilense de Letras, grupo ao qual aderiu em 1972, empossado que foi em Sessão Solene realizada na Sociedade Harmonia-Lyra.


Ao falecer, a 26 de outubro de 1984, deixou ainda uma expressiva obra não publicada mas por ele revisada, intitulada “Casa Feliz”, onde discorria acerca da colonização açoriana em Santa Catarina. Em sua homenagem, na gestão do prefeito Wittich Freitag, a Lei Municipal nº 2.078/85 batizou uma rua, em Joinville, com o nome de “Prefeito João Acácio Gomes de Oliveira”.


Desde o dia 20 de maio de 2017 a ACADEMIA JOINVILENSE DE LETRAS publicou Edital buscando eleger um sucessor ao dinâmico e saudoso Acadêmico JOÃO ACÁCIO GOMES DE OLIVEIRA, com prazo de 60 dias para as inscrições, o que resultou na eleição de Marcelo Garcia Lufiego que terá a missão de dar continuidade a essa história.

 

(pesquisa e redação por: Paulo Roberto da Silva, secretário-geral da AJL, publicado a 15/06/2017, revisado a 09/02/2019).

Fonte da imagem: “Joinville 1851-1975: Joinville Histórica”, Cyro Ehlke. Itajaí: Edições Uirapuru Ltda., 1975, p. 44

COMPARTILHE: