O camponovense babilônico (Adauto)

O CAMPONOVENSE BABILÔNICO

Simples como todo o nascido em Campos Novos, trazendo no gene libanês o amor pelas realizações culturais, mesmo as mais simples , aproveitou toda a infância na liberdade dos campos novos, repartidos com Lages, para aprimorar a sua cultura, pois esta é fundamentalmente, constituída por aquilo que o ser humano faz. Aprendeu a nadar e pescar jundiás e bagres em  rios e riachos da região, a guardar de memória o linguajar dos caboclos e peões, com quem mantinha conversas sobre tudo na sua curiosidade nata pelos acontecimentos ao seu redor. Tendo um pai médico sempre solidário com a dor, tornou-se simples e solidário com o resto da Humanidade. Sempre foi (sem o saber), mármore para esculturas de Miguel Ângelo. Nem mesmo os problemas domésticos e/ou familiares lhe perturbaram o destino escolhido. Foi à escola, onde granjeou amizades permanentes. E um dia resolveu descer a Serra e ir estudar na ilha Capital. Ali frequentando a tradicional Faculdade de Direito de Santa Catarina, hoje, Federal. Onde já começou a brilhar pelos conhecimentos, pela disciplina, pelo debate sobre direitos fundamentais do Homem. Foi advogado de amplos recursos, mas aproveitou-os para ingressar no Ministério Público, no qual fez carreira até hoje exibida como exemplo.Porém a cultura literária jamais foi abandonada. E nela se tornou babilônico. Lendo, conversando e escrevendo. Criou tipos em suas estórias e histórias; vasculhou com telescópios Palomar o episódio da luta no território Contestado, que furtou à Santa e Bela Catarina uma área igual à da Bélgica, segundo o “Velho” Fontes, irresignado com o “Cambalacho Político, tão bem descrito pelo lageano terráqueo Licurgo Ramos da Costa. E sobre este infeliz acontecimento por todas as suas tragédias, escreveu e ajudou outros a escrever. Na condição de “parquet robespierreano, chegou a secretário de estado sem ser político. E, cumpridos os deveres e o tempo de serviço, buscou o merecido jubileu.E com inigualável companheira de toda a vida, enfrentou a poeira das estradas nacionais e internacionais, criando um fantástico elo de amizades e admiradores. Já fiz esta prova. E recebi a resposta positiva. Orgulho-me de lhe merecer esta amizade insuspeita, que se apoia em ambas famílias. Se não fôramos caboclos de serra cima, duvidariam da nossa hombridade. Pois vivemos trocando impressões culturais de toda a espécie. Se possível, a cada dia. Ele se babiloniza pela irrequietude cerebral. É livro, artigo, conto, crônica, resenha, uma atrás da outra.Seu penúltimo livro (digo penúltimo), porque não vai parar nem para cevar um mate ou saborear o café que a sua Musa Jandira passa como ninguém. Nem o Alfredo Rangel resistiu. Mandou-me, em um só pacote, um volume com 50 resenhas de livros lidos e discutidos; um de contos regionalistas perfeito e o “Blumenau” em Cadernos, de que é colaborador há pelo menos (desculpe dar-lhe o segredo da idade) quarenta longos anos; contados em calculadora Sony para evitar erros.Os babilônicos não têm idade. Ex: Jorge Luiz Borges! Sei que escrevendo ou dizendo algo, mesmo pequenininho e por força de admiração e amizade, cravo-lhe punhal calabrês enferrujado (se existe ou existiu) na modéstia e perco o café da Musa. E a confiança da filha e colega, hoje, explicavelmente, uma constitucionalista digna de um STF mais austero. Joinville, 7 h. 12/07/019.17 h

Carlos Adauto Vieira

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