OTTO BOEHM

Otto Boehm

CARLOS BERNARDO OTTO BOEHM (*1868 +1923), jornalista e político joinvilense, foi redator-proprietário do Kolonie Zeitung.

Otto Boehm nasceu em Joinville no dia 15 de março de 1868, filho de Carl Wilhelm Boehm e Thereza Alwine Obst Boehm. Frequentou a escola pública do dedicado Padre Carlos Boegershausen, onde recebeu sua instrução primária e depois completou seus estudos em aulas particulares com diversos professores da cidade. Em 1890 Otto Boehm se casou com Lina Berner e tiveram quatro filhos: Carlos Willy, Max, Jenny e Alice.

Desde cedo Otto demonstrou dedicação ao trabalho, ajudando o pai na oficina tipográfica. E com o falecimento deste, Otto assumiu a gerência da tipografia, em setembro de 1889, com apenas 21 anos.  Cuidou dos negócios, contando com o apoio de sua mãe Alwine Boehm, e foi o redator até morrer, em 1923.

A Tipografia Boehm, desde que começou a operar, em dezembro de 1862, até fechar definitivamente as portas, no final dos anos 1970, a Tipografia Boehm, fez parte do dia  a dia do joinvilense e se confundiu com a história da cidade.

                   Otto Boehm, com seu espírito empreendedor, se empenhou na ampliação e melhorias em suas oficinas gráficas, criando posteriormente  uma secção de litografia, pautação, encadernação, confecção de carimbos de borracha, confecção de rótulos e também uma livraria.

         Em decorrência de sua posição de redator-proprietário do jornal Kolonie Zeitung, passou também a participar da vida política da cidade. Assim, em 1889 já se destacava como conselheiro municipal, cujo cargo  ocupou por repetidas gestões. Figurou entre os seis membros que, em 18 de junho de 1895 promulgaram a primeira lei orgânica do município. E por ocasião da revolução federalista foi nomeado membro da comissão municipal, encarregada de dirigir e acompanhar a condução das tropas que transitaram pelo município, depois de dezembro de 1893.

         No período de 1899 a 1902 Otto substituiu interinamente o então superintendente Gustavo A. Richlin, cargo que ocupou efetivamente de junho a novembro de 1901. De 1917 a 1920 foi deputado estadual. Na política, como poucos outros, mesmo nas fases mais difíceis manteve irrestrita solidariedade ao então governador de Santa Catarina, Hercílio Luz.

         Em suas colunas no Kolonie Zeitung deixava sempre transparecer seu espírito político correto, voltado ao bem estar coletivo, e de modo particular pelo desenvolvimento de seu município. Sua tipografia, isenta de  cores partidárias, imprimia outros jornais, oposicionistas ou não, locais ou de qualquer município. Sua formação liberal não lhe permitia aceitar qualquer forma de opressão à livre opinião. Por várias ocasiões não vacilou em conceder favores a altas personalidades da política catarinense, sem que com isso esperasse qualquer vantagem pessoal.

         Em 18 de maio de 1923, acometido de forte gripe, Otto Boehm faleceu, deixando aos que com ele conviveram e aos seus descendentes um belo exemplo de dignidade, modéstia, justiça e honradez.

Com a morte de Otto, seus filhos Willy e Max Boehm assumiram a continuidade das oficinas tipográficas e dos outros serviços que a empresa oferecia; além da livraria, onde os estudantes encontravam tudo o que necessitavam para as atividades escolares.

Nessa época, a Tipografia Boehm já havia passado à terceira geração da família. Ao iniciar a Segunda Guerra, a Tipografia Boehm passou a entrar na “lista negra” e a empresa a ser perseguida. Não foi possível continuar. Em maio de 1942 o Kolonie Zeitung parou de circular.

(Pesquisa e redação de Nelci Seibel)

                 

Referências   

DIAS, Maria Cristina. Especial para o Jornal Notícias do Dia.

Álbum do Centenário de Joinville, págs. 60 e 61

Fonte da imagem: http://ndonline.com.br/uploads/global/materias/2013/12/27-12-2013-19-49-33-otto-boehm.jpg

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