Ac. Alessandro leu “Cântico”, de Ayn Rand

Cântico, de Ayn Rand.

Cântico / Raynd, Ayn (1905-1982). Campinas, SP: Vide Editorial, 2015.

 

Ayn Rand nasceu na Rússia, em São Petersburgo, onde foi educada. Emigrou para os EUA em 1926, vindo a falecer em Nova Iorque em 1982. Autora de grande influência nos anos 70 e 80, controversa, era debatida tanto no Congresso americano quanto em suas Universidades. Seu pensamento estava em voga em uma época em que o coletivismo assolava o mundo, seja na presença comunista na Rússia, na Alemanha nazista e no fascismo italiano.

Cântico, que inicialmente estava previsto para ser intitulado de “Ego”, foi escrito quando a autora ainda era uma adolescente na Rússia por volta dos anos 1920, sendo, porém, publicado apenas em 1938 na Inglaterra.

Sua trama entretém o leitor em uma luta do indivíduo contra o coletivo, elemento central da filosofia randiana. O protagonista, identificado apenas por um rótulo e números, é chamado de Igualdade 7-2521, que sonhava em ser cientista, mas o Conselho de Profissões decidira que ele seria mais útil à sociedade como um gari, varrendo ruas. Isso abalara fortemente sua pretensão de saciar sua curiosidade e vontade de saber. O mundo em que Igualdade 7-2521 vive é regulado em todas as atividades pelos Conselhos, aos quais cabem aos sábios decidir os rumos da sociedade. Apesar disso, o livre arbítrio ainda existe, pois o protagonista consegue escrever, dissecar animais, coletar animais entre outras coisas. Sua curiosidade e espírito livre o leva a descobrir uma passagem que o levará a outro local, fora do que era previsto para ele. Seu amigo, que sabe de suas intenções, decide não delatá-lo, e Igualdade foge com sua amada, Liberdade 5-3000.

A obra é curta, porém intensa. Faz-nos refletir sobre os papéis da sociedade, do coletivo e do indivíduo. Em um mundo hipotético em que ao passar do tempo a palavra “eu” foi abolida, o controle da linguagem com palavras autorizadas pelo governo e do pensamento fazem todos pensar o que e como quem os governa deseja.

 

Alessandro José Machado

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