Ac. Simone leu “Como viver – Uma biografia de Montaigne”, de Sarah Bakewell

Como ele sabe tanto sobre mim?

Se o leitor já teve a oportunidade de ter em mãos um texto que lhe proporcionou tal reconhecimento ao ponto de pensar como o autor sabia tanto a seu respeito, sugiro que repita esta experiência com a leitura de “Como Viver – ou Uma biografia de Montaigne em uma pergunta e vinte tentativas de resposta”.

Escrito pela inglesa Sarah Bakewell, o livro recebeu reconhecimentos como o de melhor biografia pelo ‘National Book Critics Circle Award’ e foi eleito um dos dez melhores livros de 2010 pela Library Journal.

Montaigne nasceu em 1533 e viveu no Sudoeste da França até 1592. Tornou-se escritor apenas aos 38 anos, dois anos depois de sofrer um acidente de equitação que quase custou-lhe a vida. Escreveu 107 ‘Ensaios’, nos quais refletiu (muito) e indagou (ainda mais) sobre situações que havia experimentado. Muito parecido com o que milhões de pessoas fazem hoje na internet e nas redes sociais. Só que mais de quatrocentos anos antes. Sua obra, uma coleção com mais de mil páginas, inspirou grandes intelectuais que viveram depois dele. Virgínia Woolf, Ralph Waldo Emerson, Friederich Nietzsche e Gustave Flaubert, entre outros.

Diferente do que o título de Bakewell pode fazer supor em uma primeira impressão, sua biografia de Montaigne – e os próprios “Ensaios” escritos pelo autor – não compartilham dos mesmos princípios do que se convencionou chamar de ‘autoajuda’. São muito mais autênticos e profundos. Algumas das vinte tentativas de resposta de “Como Viver” sugerem justamente o oposto do que se vê nesta categoria de não-ficção:  ‘Abra māo do controle’, ‘Seja comum e imperfeito’, ‘Questione tudo’, ‘Não se arrependa de nada’.

Segundo Bakewell, “em vez de dar respostas abstratas, Montaigne nos diz o que ele fazia em cada situação e como se sentia ao fazê-lo. (…).” E é aí que a leitura da obra nos dá a oportunidade de encontrar paralelos com a nossa realidade. Mesmo que o mundo tenha evoluído e passado por tantas transformações nos últimos séculos, nossa essência enquanto humanos parece quase inalterada.

Resenha de Simone Gehrke

 

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