Dançar sobre cacos (Alessandro Machado)
Espero poder dançar sobre os cacos de vidro por um longo tempo, mesmo sabendo que é impossível para sempre!
DANÇAR SOBRE CACOS
O Passo Leve
No chão de cristal,
Cacos a brilhar,
Pois o meu mal,
Virei a dançar.
Piso no corte,
Sem medo ou dor,
Faço da sorte
Um gesto de amor.
Ferida aberta,
Sangue no chão,
Alma desperta
Em celebração.
Que o tempo dure,
Nesse bailado,
Até que cure
Todo o passado.
O vidro que fere,
É luz no meu pé,
Pois quem adere
À dança, tem fé.
Salto no abismo,
Brilho no escuro,
No meu lirismo,
Vou pelo muro.
Não sou a vítima,
Sou a canção,
Força legítima
No coração.
Se o corte é fundo,
Mais alto eu vou,
Mostro pro mundo
Quem é que eu sou.
Pois quem baila sobre as ruínas não teme o que quebra; teme apenas o silêncio de não ter tentado.
Essa forma curta e ritmada reflete a delicadeza de quem aprendeu a transformar o sofrimento em arte.
Alessandro Machado.
