EUROBRASILEIRISMOS em versos livres (Milton Maciel)
EUROBRASILEIRISMOS em versos livres
(depois de 7 anos nos EUA)
Milton Maciel
.
Ah, nada como viver na Europa para amar o Brasil!
E nada como viver no Brasil para considerar a Europa.
Que seria ótima, tivessem os europeus um desinventar:
O álgido inverno, a chuva gelada, o vento polar.
.
Ah, minha Europa, que inverno horroroso!
Ah, meu Brasil, que praias, que sol, que gozo!
Aqui tudo está pronto – pronto de séculos, velho, senil.
Do outro lado, caldeirão de raças, tudo a ser feito: Brasil.
.
De quase sol, cinco horas diurnas;
De frio e chuva, cinco meses soturnos.
A alma europeia, o inverno a penetra e desanima.
Curto, pouco é o verão, não chega a reaquecê-la.
Se subo aos cimos congelados da Serra da Estrela,
A neve me faz ver a areia branca da praia nordestina.
.
Mas pelo menos podemos deixar nossos miúdos na escola
E ir buscá-los ainda vivos – não apavorados e escondidos;
Cheios de medo de serem abatidos por atiradores malucos:
É, podia ser pior, podíamos estar nos Estados Unidos…
.
Podia ser Los Angeles: setenta e cinco mil moradores de rua,
(São Paulo – o dobro da população – tem noventa mil. Ah, Brasil!).
Joinville? Só quinhentos!
É, ali são outros quinhentos…
