Solitude (Bernadéte Schatz Costa)
SOLITUDE
Bernadéte Schatz Costa
Um bule azul enfeitava teu semblante.
Tudo ficou intacto no que foi um acontecimento.
Descascado era o mundo, para mim, de abismos sem fim.
A casa não era só a cozinha com louças na pia,
mas as janelas recém-feitas estrelas.
A garrafa de pimenta aquecia os dias sob lençóis,
quando a vida era mais que sacudir-se alegre ou triste.
É bom ter um corpo, um copo d’água, um céu limpíssimo,
sim, melhor é rir teu riso no acaso da lembrança
para que eu fique em lucidez na solitude.
