Texto presente feito de capim – para Valmir Neitch (Marinaldo Silva)
TEXTO PRESENTE FEITO DE CAPIM
Para Valmir Neitch
Nome Completo: Valmir Neitsch. Origem: Cresceu no bairro Itaum, em Joinville, e muitos de seus poemas homenageiam a região. Trajetória Cultural: Atuou como declamador, fez parte do grupo musical Sepé, integrou o movimento literário Grupo Zaragata e trabalhou na Fundação Cultural de Joinville. Reconhecimento: É membro da Academia Joinvilense de Letras (AJL). Obras Principais: Perímetro Humano (1991), Meandros (1996), Lavratura (1999), Carretel (2015), Seta do meu Tempo (lançado em 2023/2024). Sua Poesia é marcada pela ternura, mesmo ao abordar temas difíceis da vida. Tem forte conexão com a cidade de Joinville e seus bairros, como o Itaum e o Anita Garibaldi, onde muitos versos foram criados…
Incrível, mas descobri que a Inteligência Artificial sabe muito sobre você, Valmir. Sabe descrever o teu currículo, e sinto que saberá conduzir o público, no futuro, para entender o seu papel social nesta cidade. Só talvez não consiga reverberar, aí pelas gentes de adiante, que você mirava a casa do sol, aquela em que as tardes de inverno formavam um coral de vento, que traziam em assovios ancestrais, sons melodiosos, brincando com as folhas do coqueiro, todas vestidas de pirata. A Inteligência Artificial, será, conseguirá te distinguir em três palavras que não te transformem num autômato? Saberá ela que você cresce herboriamente, que você lastreia-se, em ramas, mesmo diante do veneno, e que você, sombreia palavras e as encanta para que a gente fique lendo teus versos diante da filosofia? Incrível, senhor Valmir, é te notar por aí, sentadinho, franzino, gigante dentro da fragilidade, fortaleza de poucos músculos se erguendo em liberdade, em rima, naquilo que é mais latente a um imortal desta academia: na força da palavra.
Teu tempo, amigo, já está imortalizado, mesmo que o encare como um adversário cronológico, mesmo que ele surja em forma de ponteiros antecipados que riscam o vidro da vida e mostram uma latência cada vez maior em direção a um tempo que a gente nunca quer chegar. Mesmo que não creia na eternidade e invente a posteridade, eu posso dizer que, ao te observar, eu refaço memórias e vejo umas mistificando as outras, antecipando leitores e pesquisadores, te lendo, e dizendo: Bem-aventurados sejam os poetas que crescem como Capim! Falo isso ao ler teus versos “Assento, enquanto confesso penitente, renitente aposentado por tempo de serviço”.
De cor em cor, perfume para recompor; de abelhinha a abelhinha, reconstrução da colmeia. Ser a ser, reflorescer, permanecer, reestreia. Orquestração, iluminação. Altar sagrada natureza. Vagalumes, cigarrinhas, borboletas, atentos salvaguardas do planeta.. TUA POESIA é a coisa mais linda de sentir. É historia da carochinha, é historinha de criança, é pedrinha fundamental, é palavrinha das mais bonitas, é miudinha nesse meu falar porque se eu falo inteira, fica grande demais pra caber na minha escrita. Eu ouço e escrevo você em algum lugar, olhando para a Rua Babitonga, passando pela Monsenhor Gercino, chegando ali por trás e vendo os trens, e você botando moedinhas no trilho para ele achatar os vinténs. Leio cada palavra e escuto os teus presentes, lugar esse em que escreve onde nada é passado a limpo, porque já está tudo transfigurado, tudo pronto para a ascensão, tudo pronto para ser elevado, poesia-oração que nos alimenta com aquilo que vem antes da palavra, que é o impulso, e todos eles, feito sístole e diástole, trazendo um coração cheio de histórias. Cresça em nossos quintais, amigo, quebre as pedras, rompa o asfalto como nas imagens instagramáveis e seja consumido, devorado, degustado com o requinte que só os grandes poetas merecem.
De Marinaldo de Silva e Silva

