Ac. Alessandro Machado leu “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury
Ac. Alessandro Machado leu “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury
“O psiquiatra quer saber por que eu saio andando pelos bosques, por que observo pássaros e coleciono borboletas.” (Clarice McLellan)
“Eles querem saber o que eu faço com meu tempo. Eu digo à eles que as vezes eu apenas me sento e penso.” (Clarice McLellan)
“Não vejo o que há de social em juntar um grupo de pessoas e não deixá-las falar… nunca fazemos perguntas…eles apenas passam as respostas pra você.” (Clarice McLellan)
“Sobre o homem cuja biblioteca nós eliminamos. O que aconteceu com ele? (Guy Montag)
– Eles o levaram gritando para o hospício.
– Ele não era demente.
– “Todo homem é demente quando pensa que pode enganar o governo e a nós.” (capitão Beatty)
“A palavra intelectual, tornou-se o palavrão que merecia ser. Sempre se teme o que não é familiar.” (capitão Beatty)
“Quem sabe quem poderia se alvo do homem lido?” (capitão Beatty)
“Você precisa entender que a nossa civilização é tão vasta que não podemos permitir que as nossas minorias sejam transtornadas e agitadas.” (capitão Beatty)
“O ambiente familiar pode desfazer muito do que a gente tenta fazer na escola.” (capitão Beatty)
“Faber cheirou o livro: – Sabe que os livros cheiram a noz moscada ou alguma especiaria do estrangeiro?”
“Eu vi o rumo que as coisas iam tomando, muito tempo atrás. Eu não disse nada. Sou um dos inocentes que poderiam ter elevado a voz quando ninguém atentava para os ‘culpados’, mas não falei e, com isso, eu mesmo me tornei um dos culpados.” (professor Faber)
“Os livros eram só um topo de receptáculo onde armazenávamos muitas coisas que receávamos esquecer.” (professor Faber)
“Quanto mais detalhes de vida fielmente gravados por centímetro quadrado você conseguir captar numa folha de papel, mais literário você será.” (professor Faber)
“As coisas que você está procurando, Montag, estão no mundo, mas a única possibilidade que o sujeito comum terá de ver noventa e nove por cento delas está num livro. Não peça garantias. E não espere ser salvo por uma coisa, uma pessoa, máquina ou biblioteca. Trate de agarrar sua própria tábua e, se você se afogar, pelo menos morra sabendo que você estava no rumo da costa.” (professor Faber)
“O próprio público deixou de ler por decisão própria.”
“Quando eu era jovem, Montag, eu atirava minha ignorância na cara das pessoas. Elas me surravam com varas. Quando cheguei aos quarenta, minha faca cega já estava muito bem afiada apara mim. Se você esconder sua ignorância, ninguém lhe baterá e você nunca vai aprender.” (professor Faber)
“E quando morreu, subitamente percebi que não estava chorando por ele, mas por todas as coisas que ele fazia.” (Granger)
“Todos deixam algo pra trás quando morrem.”
“Viva como se fosse cair morto daqui dez segundos.”
Ray Bradbury nasceu nos Estados Unidos em 1920. Escreveu romances, contos, peças, poesia e roteiros para filmes, mas se tornou famoso com seus romances visionários.
Creio que esta obra, Fahrenheit 451 seja sua obra prima. Ficção científica, em local e data não específica, conta a história de um bombeiro, Guy Montag, que dentro de sua insatisfação pessoal, a qual não sabe de onde vem, começa a refletir sobre seu papel no mundo, especialmente após seus diálogos com a adolescente Clarice McLellan.
Sua curiosidade em relação aos livros que os bombeiros queimavam (sim, nesta realidade futurística os heroicos bombeiros tem como responsabilidade legal, a serviço do Governo, a queima de livros e bibliotecas. A temperatura de 451 graus fahrenheit é a que o papel começa a incendiar) levou à desconfiança do chefe dos Bombeiros, capitão Beatty.
As pessoas que escondiam livros eram mortas, ou no mínimo, levadas ao hospício. Entre as obras ilegais estavam a Bíblia, livros de poesia de Walt Whitman e romances de Willian Faulkner.
A história termina com a destruição de quase toda a sociedade existente, através de uma guerra que estava em andamento, porém não bem informada pelo governo. Aos poucos, sobreviventes vão se encontrando, socializando não apenas conhecimento de onde vem e quem são, mas também as formas de conhecimento que possuem. Deixa uma mensagem de otimismo e recomeço.
Esta obra é de leitura obrigatória. Cada um ao lê-la, chegará a conclusões alarmantes sobre o que uma sociedade pode se transformar, sem cultura, sem sonhos e sem liberdade. Existe mais de uma maneira de se queimar um livro, e o mundo está cheio de pessoas carregando fósforos acesos, disse o autor. Ainda, no romance o capitão Beatty explicou como os livros foram queimados primeiro pelas minorias, cada um rasgando a página ou parágrafos desse livro e depois daquele, até que chegou o dia em que os livros estavam vazios, e as mentes caladas e as bibliotecas pra sempre fechadas.
Devemos sempre nos posicionar contra qualquer tipo de tirania, seja de direita, centro ou esquerda. Qualquer tipo.
Alessandro José Machado 15/09/25
Bradbury, Ray, 1920-2012. Fahrenheit : a temperatura na qual o papel do livro pega fogo e queima – / Ray Bradbury; São Paulo: tradução Cid Knipel; – 3.ed.- São Paulo: Globo, 2020.
