É mãe, ó Dorival! (Milton Maciel)

É mãe, ó Dorival!

Milton Maciel

 

“Sei de alguém que gosta de mim,

apesar do que fiz, do que faço;

apesar do que fui, do que sou e do que serei.

Esse alguém, se me encontra sorrindo, sorri;

Mas, se eu choro, ela chora também.

E se orgulha mostrando pro mundo o amor que me tem.

 

Neste mundo criado por Deus

Eu só tenho uma ambição:

Conservar esse alguém como dona

Do meu coração.”

 

Sempre tive esse texto como letra de um samba de Dorival Caymmi. Hoje, para minha surpresa, não consegui achar confirmação para isso em toda a Internet. Pior: De todas as formas que tentei, o Google não encontrou esse texto, para atribuí-lo a quem quer que seja.

Sempre soube essa letra (e a música) de cor. Tive a informação inicial que Caymmi a havia criado para recuperar as boas com a patroa, prestígio meio arranhado, sabe como é?

Mas, dispensando a segunda estrofe (a ‘puxadinha’ na patroa), eu a uso há décadas – só com a primeira estrofe – para exemplificar exatamente o amor materno como expressão do Ágape, isto é, do amor incondicional.

Caramba, gostar de você apesar do que você FAZ? E pior: do que você É e do que SERÁ?!?! Francamente, não tem marido ou mulher capaz disso. Só MÃE mesmo!

Essa é a grande função psicológica da GRANDE MÃE, a mãe arquetípica, aquela figura do inconsciente coletivo que cantamos no dia das mães. É dar o Ágape, a aceitação incondicional, a certeza de que somos aceitos e amados, independente de termos que fazer algo para merecê-lo.

É isso o que produz a segurança emocional. Falta de ágape = insegurança emocional. Excesso de Ágape (sim, é possível!) = infantilização do adulto (o Puer aeternus).

Então, sim, é mister saber reconhecer e valorizar aquelas benditas criaturas que nos deram o nosso senso de segurança emocional, de forma que não tenhamos seguido depois uma vida adulta inteira a procurar a segurança emocional faltante em relações amorosas ou profissionais – óbvias e dolorosas impossibilidades.

Gratidão eterna, senhoras do acolhimento, ninhos de segurança, provedoras do Ágape, fontes do amor incondicional.

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