Questão de opinião (Donald Malschitzky)

 

Questão de opinião

Donald Malschitzky

 

         Era de se esperar e aconteceu: a passagem de ano começou a ser “comemorada” já na manhã do último dia de 2025, a “comemoração” intensificou-se durante a tarde e atingiu o auge à meia noite.  Aparentemente, alguns beberam tanto durante a noite que perderam a hora e soltaram seus foguetes quando o sol já aquecia suas ressacas.

Nós, os ingênuos, sabíamos que o foguetório, apesar de proibido, faria seus estragos, mas tínhamos a esperança vã de que a maioria dos cidadãos cumpriria a legislação onde ela existe, já que esperar bom senso, sem os alertas da Lei, seria exigir demais.  Na maioria dos municípios, erramos, em outros, valeu a pena confiar.

Um exemplo de uma cidade com grande apelo turístico que, tradicionalmente, realizava shows pirotécnicos exuberantes na virada do ano e onde o barulho foi silenciado: Foz do Iguaçu. Foi proibida a comercialização, os estabelecimentos foram fiscalizados e, no caso de oferecerem produtos à venda, seus proprietários, multados. A festa acontece sem estampidos e muita confraternização.  Foz não é exceção, é apenas prova de que existe solução possível e agradável; basta ter vontade para determinar e agir.

Vários municípios de Santa Catarina possuem   lei que proíbe os fogos de artifício com estampido; alguns são necessariamente radicais, proibindo totalmente a comercialização e uso; uns poucos estabelecem o número máximo de decibéis, como em São Bento.

Nesses dias,  as redes sociais ferveram com postagens explicando as consequências dos barulhos de estampidos na vida de seres humanos, especialmente os recém-nascidos,  os de idade avançada,  os autistas, os acamados, e nos animais, não apenas os domésticos.

As réplicas de “entendidos” não faltaram.  Em comum, aparecia: “Na minha opinião….” e os argumentos opinativos variavam: “Sempre foi assim.., “Deixem a gente se divertir…” “É apenas um dia no ano…”

O que não explicam é porque sua opinião é mais importante do que a lei e do que o senso comum, nem qual a   necessidade de fazer mal aos outros para se divertir. Para quem não sabe, muitas coisas acontecem somente uma vez; morrer, por exemplo, e não é questão de opinião.

COMPARTILHE: