Resteva alta (Onévio Zabot)

RESTEVA ALTA

 

Enquanto range o bugio

encoivarado nos costões da serra,

sigo em frente, crinas ao alto,

meu cavalo não emperra.

 

Resta o pé de serra

inclinar-se às velhas alpargatas,

curva de rio de peixe ressabiado,

recato de bosque, resto de mata.

 

De chapéu embicado

me curvo ao curso das horas,

sinos dobrando ao léu,

evocação de quem chora.

 

E levanta a poeira nos cascos

redobrando o pingo alçado,

tropilha que avança ao largo

nos campos renegados.

 

Joinville, 3 de abril de 2020

Onévio Zabot

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