Amendoim (Onévio Zabot)

AMENDOIM

 

Amendoim, quem não conhece? Torrado ou mais elaborado: pasta, manteiga, óleo, paçoca, farinha,  pé-de-moleque, amendoim japonês, e por aí vai. E a planta, a lavoura?! Ah, essa é outra história.

Não tivesse convivido com o ciclo do amendoim  no noroeste paranaense, e  talvez não pudesse falar com propriedade dessa importante leguminosa. Ali entrou após o ciclo do café que fora dizimado pelas  geadas nas décadas de 1960/1970. No Paraná o amendoim encontrou ambiente favorável no arenito Caiuá. Antes disso, e até hoje a lavoura  prepondera no Estado de São Paulo. Regiões de terra arenosas. Não por acaso, Jaboticabal é conhecida como capital do amendoim.

Originário da América do Sul(Bolívia e Paraguai), os  povos indígenas o domesticaram a cerca   mais de oito mil anos. Amendoim, alegam, o nome provém do Tupi, anambú , amindo’im, amendo+u. Qual seja:  fruto que cresce enterrado.  Outra versão refere-se mandubi e manduim – “Tupi antigo a Língua Clássica  do Brasil”, dicionário de Eduardo de Almeida Navarro. Este recomendado pelo escritor Deonísio da Silva.

Arachys hypogeaea, assim batizado pelos botânicos. E temos o Arachis pintoia, mais empregado na jardinagem. Forma  exuberantes canteiros verdes, e floradas amarelo-ouro. Excelente para  cobertura contenção de encostas.

E temos outra  espécie: Arachis glabrata, amendoim japonês. Japonês não porque veio do Japão, mas sim porque o aproveitamento foi desenvolvido no México pelo imigrante japonês Yoshigei Nakatanai e sua esposa a mexicana Emma Ávila(1932). A marca inicial Nippon (Japão Suki Desu+1).   Grão revestido com shoyu e iguarias mexicanas. Fruto, portanto, da miscigenação de culturas distintas; ganhou o mundo.

Diante do o melhoramento genético novas variedades foram lançadas.  Ereta, caso IAC- Tatu. E outras da EMBRAPA. Antes predominavam as rateiras. Uma delas de grãos graúdos, o famoso amendoim cavalo.

Sobre o amendoim uma curiosidade. Muito cultivado nos Estados Unidos, certa feita o jovem afrodescendente George Whashington Carver, filho de escravos, após frequentar um colégio agrícola incentiva o cultivo. Graças à tecnologia aumenta sobremaneira a produtividade e, destarte, a produção. Na primeira safra, uma festa. Todos encheram as burras. Na segunda, excesso de produção. Queda de preço. Queriam linchá-lo.

George não esmorece. Pede calma, pede tempo. Na cozinha de sua  morada inicia ensaios para buscar outras formas de aproveitamento. Mesmo tripudiado, insiste. E não deu outra. Desenvolveu  mais de trezentas formas de aproveitamento.  Além de salvar a lavoura, entra para a história da agricultura mundial. Um feito e tanto.

A família de Jimmy Carter, presidente do Estados Unidos, foi notável plantadora de amendoim na Geórgia, incluindo seu folclórico irmão, Billy.

Sobre a planta trata-se da única espécie que lança as flores a partir das ramadas, e desenvolve  as vagens (fruto), no solo.  Após  a fertilização o pendão floral(Ginóforo)  penetra no solo  para  formar o fruto.

Hoje, todo o processo de produção é altamente mecanizado. Automação no campo. Não foi assim no passado. Descava-se as vagens à mão, tanto para o consumo,  quanto para a produção de sementes. Tarefa árdua.

E o manejo da lavoura, então. Preparo do terreno e aterramento na base da força bruta ou tração animal. Arado aiveca e pé de pato. E a colheita, outra batalha. Arranquio (haja coluna cervical!).  Secagem… feixes ao ar livre, e separação de vagens das ramadas.  Para removê-las usava-se balaio com travessas de madeira. Açoites certeiros.  Peneirá-lo ou abana-lo,  senhora epopeia.  Sacudidas precisas, vagens lançadas ao alto. Depois secá-lo. O ponto certo… Toda  a atenção era pouca.

Utilizava-se a mesma roupa durante toda a safra. Ao final o traje -cimentado pelo suor e terra -, ficava em pé por si só. Malhação! Abaixo Judas!

E assim de safra em safra rolava a vida. E, é claro, como não poderia deixar de ser,  nunca faltou por lá uma saborosa torta de amendoim.

 

Joinville, 12 de setembro de 2026

Onévio Zabot

Engenheiro Agrônomo

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